Celulose e papel: por que este segmento exige mais da elétrica e automação

Por que a indústria de celulose e papel é um dos segmentos mais exigentes para quem presta serviços de elétrica e automação.

A indústria de celulose e papel é, de longe, um dos segmentos mais exigentes do Brasil para quem presta serviços de elétrica, instrumentação e automação. Isso acontece porque as plantas operam de forma contínua, com alta complexidade de processo e custo elevadíssimo de parada não planejada. Por isso, o nível técnico exigido de quem atua nesse ambiente é diferente do que se pratica em outros segmentos industriais.

O que torna esse segmento tecnicamente diferente

Em primeiro lugar, as plantas de celulose e papel raramente param. Ao contrário de outros segmentos industriais, elas operam 24 horas por dia, durante meses seguidos. Além disso, o processo é altamente interdependente: uma falha em um ponto se propaga rapidamente para os demais. Por exemplo, uma instrumentação fora de calibração no digestor pode comprometer o controle de qualidade da fibra várias etapas depois.

Além disso, as plantas utilizam uma combinação densa de tecnologias. Sistemas de automação de diferentes fabricantes convivem no mesmo ambiente. Ou seja, o profissional que atua nesse segmento precisa dominar não só o conceito, mas as plataformas específicas de cada fornecedor.

Por outro lado, as condições de campo são mais agressivas: vapor, produtos químicos corrosivos, alta umidade e temperatura elevada aceleram a degradação de componentes elétricos e instrumentos. Portanto, especificar e instalar corretamente faz toda a diferença na vida útil dos equipamentos.

Alta tensão, ambientes classificados e normas que não são opcionais

Outro ponto que diferencia esse segmento é a presença de sistemas de alta tensão e ambientes classificados. Caldeiras de recuperação, turbogeradores e sistemas de co-geração de energia fazem parte do processo. Por isso, a NR-10 e a NR-13 não são só exigências formais: elas regulam situações reais de risco que qualquer profissional em campo vai encontrar.

Além disso, a NR-33 e a NR-35 se aplicam constantemente, já que tanques, silos e trabalhos em altura fazem parte do dia a dia de manutenção nessas plantas. Em outras palavras, a conformidade com normas regulamentadoras não é diferencial, é requisito mínimo de entrada.

Vale destacar também que as grandes empresas do setor, como Suzano, Veracel, Eldorado e Sylvamo, conduzem processos formais de homologação de fornecedores. Portanto, quem não atende os critérios técnicos e de segurança sequer chega à fase de proposta.

O que muda na prática para quem presta serviços nesse ambiente

Na prática, atuar em celulose e papel exige competências além da execução técnica convencional. Em primeiro lugar, a capacidade de trabalhar dentro de janelas de manutenção muito curtas: durante uma Parada Geral, cada hora de atraso tem custo direto e mensurável. Além disso, o segmento exige familiaridade com equipamentos específicos. CDFilters, digestores contínuos e caldeiras de recuperação têm lógicas de controle próprias. Por isso, profissionais sem experiência nesses sistemas têm uma curva de aprendizado longa, e essa curva tem custo para o cliente.

É comum que empresas apresentem carteiras de clientes de diferentes segmentos como prova de capacidade. No entanto, experiência em construção civil ou montagem predial não se transfere diretamente para uma planta de celulose. Portanto, ao avaliar um prestador de serviço, o histórico específico nesse segmento é o indicador mais concreto de capacidade real.

Como a Otus atua na indústria de celulose e papel

A Otus tem histórico comprovado no segmento. Por exemplo, conduziu a montagem eletromecânica completa de uma das linhas de produção da Veracel, obra de um ano com impacto direto na capacidade produtiva da planta. Além disso, participou da modernização do CDFilter na Veracel em parceria com Andritz e GreyLogix, e atendeu em caráter de emergência a área de secagem da mesma planta quando a continuidade operacional estava em risco.

Dessa forma, a Otus não chega a uma planta de celulose aprendendo o ambiente. Já atua nele. Quer entender como estruturamos projetos nesse segmento?
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